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quarta-feira, 28 de julho de 2021

Instituto diz que o governo Bolsonaro tem postura negacionista na crise de energia e alerta para risco de apagões


247 - Especialistas do Instituto Clima e Sociedade classificaram a resposta do governo Jair Bolsonaro à crise de energia como negacionista, por minimizar risco de apagões. "A gente vê ministros e outras figuras aparecendo e negando que estamos diante de um risco de racionamento e de apagões", disse a consultora do instituto, Amanda Ohara. "Se na pandemia, em que lidavam com vidas humanas, houve negação, imagina na energia, no início de um período eleitoral", afirmou, de acordo com relato publicado no jornal Folha de S.Paulo. O Brasil passa pela pior crise hídrica em 91 anos.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou na semana passada para o esgotamento da potência no atendimento aos horários de maior consumo no fim do ano. O alerta reforçou no mercado a percepção de que, sem controle da demanda, aumentará o risco de apagões nos horários de picos é elevado. "Não tem varinha de condão que faça aparecer oferta de energia", afirmou o ex-diretor do ONS Luiz Eduardo Barata.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico do Ministério de Minas e Energia deu sinal verde, em maio, para a necessidade de acionar usinas termelétricas, mais poluentes e mais caras. No mês seguinte, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aumentou em 52% a parcela da conta que paga pelo funcionamento dessas usinas. Segundo a Agência Lupa, do jornal Folha de S.Paulo, cerca de 85,6% de toda a energia no país era gerada em hidrelétricas (298,6 TWh de um total de 348,9 TWh) em 2001. O percentual caiu para 65,2% em 2020, apontou um relatório do ministério.

Nesta semana, o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), Christiano Vieira da Silva afirmou que a região Sudeste, responsável por 70% da capacidade de armazenamento do Brasil, está com apenas 26% de sua capacidade. 

De acordo com o físico José Goldemberg, ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo, "a pior coisa que o governo está fazendo no momento é não preparar os brasileiros para a situação difícil que vamos enfrentar". "Pelo contrário, está tranquilizando as pessoas", disse. 

Medidas

O governo apostará na entrada de 15 gigawatts (GW) em nova capacidade de geração entre 2021 e 2022, o equivalente a 8% da capacidade instalada atual, além de 16 mil quilômetros de novas linhas de transmissão, aumentando a malha em 10%.

Em nota divulgada nesta terça, o ministério disse que mantém  uma campanha pelo uso consciente de energia e água. "Não há indicativo de corte de carga e, portanto, de apagões nem no pior cenário utilizado [pelo ONS]", acrescentou. "Não obstante, as medidas em curso contemplam ações visando obter adicionais de geração que permitem que a operação do sistema conte com mais 'folga' entre a oferta e a demanda".

A pasta citou outras medidas adotadas para enfrentar a crise, como a revisão de regras para importação de energia e negociações com empreendedores para antecipar obras. 



    Por Brasil 247, 28/07/2021


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