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quarta-feira, 25 de março de 2020

Secretários de Saúde do Nordeste dizem que Bolsonaro 'desfaz todo o esforço' para combater coronavírus


Carta aberta foi publicada, nesta terça (24/03), depois do pronunciamento em que o presidente da República criticou o isolamento e disse que não "pegaria uma gripezinha".

Por G1 PE
Blog SNP, 25/03/2020

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), transmitido em cadeia de rádio e TV, na noite desta terça-feira (24), provocou a reação dos secretários de Saúde do Nordeste. Em carta aberta, os gestores disseram que assistiram “estarrecidos” ao discurso, no qual o presidente da República “desfaz todo o esforço e nega todas as recomendações para combate à pandemia do coronavírus”.

Na noite desta terça, o presidente contrariou o que especialistas e autoridades sanitárias do país e do mundo inteiro vêm pregando e criticou o pedido para que todas aqueles que possam fiquem em casa. Bolsonaro também culpou os meios de comunicação por espalharem, segundo ele, uma sensação de "pavor" (veja vídeo abaixo).


Bolsonaro contraria especialistas e autoridades e pede fim do ‘confinamento em massa’

Ele também disse que, se contrair o vírus, não pegará mais do que uma "gripezinha". Durante o pronunciamento foram registrados panelaços em várias cidades como Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Este foi o oitavo dia consecutivo de manifestações contra o presidente (veja vídeo abaixo).




Assinado por secretários todos os estados da região, o texto ressalta que os gestores percebem, “com espanto”, os “graves desencontros entre o pronunciamento do presidente e as diretrizes cotidianas do Ministério da Saúde”. Na carta, os gestores afirmam: “Esta fala atrapalha não só o ministro, mas todos nós!”

Ainda de acordo com a carta, os secretários de saúde dizem que “não é nosso desejo politizar esse problema. Já temos dificuldades demais pra enfrentar. Não podemos cometer esse erro.”.





Os secretários dizem, ainda, que têm consciência de que será preciso enfrentar uma grave recessão econômica. “Mas o que nos cabe lidar diretamente é a grave crise sanitária”, declaram.

Além disso, os gestores afirmam que vão continuar trabalhando. “Não nos parece que a posição exposta pelo Presidente seja a do Ministério da Saúde, que tem se conduzido tecnicamente”, afirmam.

Íntegra

Leia abaixo e veja no vídeo acima a íntegra do pronunciamento:

Boa noite.

Desde quando resgatamos nosso irmãos em Wuhan na China numa operação coordenada pelos ministérios da Defesa e Relações Exteriores surgiu para nós o sinal amarelo. Começamos a nos preparar para enfrentar o coronavírus, pois sabíamos que mais cedo ou mais tarde ele chegaria ao Brasil.

Nosso ministro da Saúde reuniu-se com quase todos os secretários de Saúde dos estados para que o planejamento estratégico de enfrentamento ao vírus fosse construído.

E, desde então, o doutor Henrique Mandetta vem desempenhando um excelente trabalho de esclarecimento e preparação do SUS para o atendimento de possíveis vítimas.

Mas o que tínhamos que conter naquele momento era o pânico, a histeria e, ao mesmo tempo, traçar a estratégia para salvar vidas e evitar o desemprego em massa. Assim fizemos, contra tudo e contra todos.

Grande parte dos meios de comunicação foram na contramão. Espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália, um país com grande número de idosos e com o clima totalmente diferente do nosso. O cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhasse pelo nosso país.

Percebe-se que, de ontem para hoje, parte da imprensa mudou seu editorial, pedem calma e tranquilidade. Isso é muito bom. Parabéns, imprensa brasileira. É essencial que o bom senso e o equilíbrio prevaleçam entre nós.

O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade.

Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércios e o confinamento em massa.

O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos de idade. Noventa por cento de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine.

Devemos sim é ter extrema preocupação em não transmitir o vírus para os outros, em especial aos nosso queridos pais e avós, respeitando as orientações do Ministério da Saúde.

No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado com o vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como disse aquele famoso médico daquela famosa televisão.

Enquanto estou falando, o mundo busca um tratamento para a doença. O FDA americano e o hospital Albert Einstein, em São Paulo, buscam a comprovação da eficácia da cloroquina no tratamento do Covid-19. Nosso governo tem recebido notícias positivas sobre esse remédio fabricado no Brasil e largamente utilizado no combate à malária, ao lúpus e à artrite.

Acredito em Deus, que capacitará cientistas e pesquisadores do Brasil e do mundo na cura dessa doença. Aproveito para render minha homenagem a todos os profissionais de saúde: médicos, enfermeiros técnicos e colaboradores que na linha de frente nos recebem nos hospitais, nos tratam e nos confortam.

Sem pânico ou histeria, como venho falando desde o princípio, venceremos o vírus e nos orgulharemos de viver nesse novo Brasil que tem, sim, tudo para ser uma grande nação. Estamos juntos, cada vez mais unidos.


Deus abençoe nossa pátria querida.



As decisões, disseram os gestores, serão tomadas baseadas em evidências científicas, “seguindo exemplos bem sucedidos ao redor do mundo”.

Segundo eles, a “grande maioria dos países do mundo, ocidentais e orientais, já firmou seu curso no combate ao vírus e é este curso que o Nordeste Brasileiro seguirá”.

“Que Deus abençoe cada um de nós que pouco temos dormido. Que Deus nos abençoe !”, acrescentam os secretários.

Veja a carta na íntegra

Assistimos estarrecidos ao pronunciamento em cadeia nacional do Presidente Jair Bolsonaro, onde desfaz todo o esforço e nega todas as recomendações para combate à pandemia do coronavírus.

Não é nosso desejo politizar esse problema. Já temos dificuldades demais pra enfrentar. Não podemos cometer esse erro. Vamos continuar fazendo nosso trabalho. Não nos parece que a posição exposta pelo Presidente seja a do Ministério da Saúde, que tem se conduzido tecnicamente.

Percebemos, com espanto, os graves desencontros entre o pronunciamento do Presidente e as diretrizes cotidianas do Ministério da Saúde. Esta fala atrapalha não só o ministro, mas todos nós!

Sabemos que iremos enfrentar uma grave recessão econômica, mas o que nos cabe lidar diretamente é a grave crise sanitária.

Vamos seguir tocando nossas vidas com decisões baseadas em evidências científicas, seguindo exemplos bem sucedidos ao redor do mundo.

A grande maioria dos países do mundo, ocidentais e orientais, já firmaram seu curso no combate ao vírus e é este curso que o Nordeste Brasileiro seguirá.

Que Deus abençoe cada um de nós que pouco temos dormido. Que Deus nos abençoe!




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