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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Incêndios na Amazônia clareiam o céu noturno


Queimadas em Humaitá, no Amazonas Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS

O cheiro é de churrasco, de brasas de madeira queimando. Durante o dia, o sol, normalmente tão intenso nestas partes, é ofuscado pela fumaça densa

HUMAITÁ, AMAZONAS — Não há luzes à vista, mas o céu noturno tem um brilho amarelo tênue, porque a Amazônia está em chamas.

O cheiro é de churrasco, de brasas de madeira queimando. Durante o dia, o sol, normalmente tão intenso nestas partes, é ofuscado pela fumaça cinza densa.

Nos últimos sete dias, a Reuters percorreu diversas vezes um trecho de 30 quilômetros de Humaitá a Labrea, ao longo da rodovia Transamazônica, e viu um incêndio abrir caminho pela floresta.

Nuvens de fumaça de queimada (22/08) em uma área da floresta amazônica perto de Porto Velho, Estado de Rondônia. De acordo com dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os incêndios na Amazônia respondem por 65,1% do total registrado em agosto no país Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS

Inicialmente, na quarta-feira da semana passada, o incêndio arrasador estava a alguns metros da rodovia, e suas chamas amarelas devoravam árvores e iluminavam o céu. Ao chegar o final de semana, o incêndio havia recuado, mas ainda emitia um brilho laranja.

O incêndio é só um dos milhares que dizimam atualmente a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo e um marco da defesa contra a mudança climática.

Os incêndios florestais já aumentaram 83% neste ano na comparação com o mesmo período de 2018, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A agência governamental computou 72.843 incêndios, o número mais alto desde que os registros começaram, em 2013. Mais de 9.500 foram flagrados por satélites só no período transcorrido desde a quinta-feira passada.

Na quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) enfureceu ambientalistas com alegações, sem provas, de que organizações não-governamentais estão por trás dos incêndios em reação a corte de financiamento.

A revolta global agitou as redes sociais, e a hashtag #PrayforAmazonas foi o principal tópico do mundo no Twitter na quarta-feira.

A Reuters observou colunas de fumaça emanando da floresta e chegando a dezenas de metros de altura durante uma viagem de final de semana ao sul do Amazonas e ao norte de Rondônia.

"Tudo que você vê é fumaça", disse Thiago Parintintin, de 22 anos, que mora em uma reserva indígena a pouca distância da Transamazônica, apontando para o horizonte.

Um caminhão amarelo com o logotipo dos bombeiros encarregados de combater incêndios florestais acabava de passar.

Parintintin culpa o desenvolvimento crescente da Amazônia pela chegada da agricultura e do desmatamento, que resultam na elevação das temperaturas durante a estação seca.

Do céu, os incêndios variam de pequenos focos a conflagrações maiores do que um campo de futebol. Às vezes, a fumaça é tão espessa que a própria floresta parece ter desaparecido.

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Imagem de satélite obtida em 21 de agosto de 2019, cortesia da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), mostra a fumaça de vários incêndios nos estados brasileiros do Amazonas, Pará, Mato Grosso e Rondônia em chamas. O NOAA é uma instituição governamental que faz parte do Departamento de Comércio dos Estados Unidos Foto: HO / AFP




Imagem do dia 18 de agosto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostra a fumaça em área de floresta no entorno do Rio Purus, em amarelo, entre Canutama e Lábrea (AM). Toda a imagem em cor azulada é devido à fumaça de queimadas Foto: INPE / Agência O Glob
Essa imagem do INPE (18/08) mostra a queimada em outro ponto de Canutama, Amazonas, às margens da Rodovia Transamazônica, próximo ao seu fim em Lábrea. Toda a àrea em tom azulado é devido a fumaça das queimadas. A Rodovia, sem pavimentação, em cor laranja. Floresta em verde escuro. Desmatamentos em verde e marrom claros. À direita da imagem, em azul, corre de Sul a Norte o Rio Mucuim, afluente do Rio Purus Foto: Agência O Globo
Mata incendiada no entorno de Porto Velho, Rondônia. Segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia concentra mais da metade (52,5%) dos focos de queimadas de 2019 no Brasil Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS

A Floresta quase desaparece com a fumaça das queimadas em área de floresta no entorno de Porto Velho (RO). O número de queimadas aumentou 82% em relação ao mesmo período de 2018, de janeiro a 18 de agosto Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS

No meio da floresta amazônica, perto de Porto Velho, fumaça de foco de incêndio Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS


No meio da floresta amazônica, perto de Porto Velho, fumaça de foco de incêndio Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS
Outra foto do dia 16 de agosto mostra os prédios encobertos pela fumaça das queimadas na região de mata no entorno de Porto Velho (RO) Foto: Roni Carvalho/Diário da Amazônia / Agência O Globo
O horizonte da cidade de Porto Velho (RO) encoberto pela fumaça das queimadas na mata Foto: Roni Carvalho/Diário da Amazônia / Agência O Globo

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, foi ao estado do Mato Grosso, não prevista na agenda, e atribuiu os incêndios na região ao calor, à baixa umidade e ao vento forte, e disse que a área urbana é a mais atingida. Na foto Ministro na entrevista coletiva sobre os dados do desmatamento na Amazônia - 01/08/2019 Foto: Jorge William / Agência O Globo



O ministro do Meio Ambiente afirmou que bombeiros e equipes do Ibama e do Instituto Nacional Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio ) foram enviadas a todos os estados da região para o combate aos incêndios. Segundo o ministro, não houve corte de recursos no trabalho combate aos incêndios - 01/08/2019 Foto: Jorge William / Agência O Globo

O presidente Jair Bolsonaro declarou (21/08), sem apresentar provas, que ONGs podem ser responsáveis pelas queimadas, em retaliação ao corte de verbas que recebiam do governo - 21/08/ 2019 Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS

O presidente Jair Bolsonaro declarou (21/08), sem apresentar provas, que ONGs podem ser responsáveis pelas queimadas, em retaliação ao corte de verbas que recebiam do governo - 21/08/ 2019 Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS


O Globo
Jake Spring, da Reuters

22/08/2019 -

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