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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Bolsonaro chama manifestantes de ‘idiotas úteis e massa de manobra’ e recebe críticas

Políticos e associações de professores e estudantes reagiram.

Por Jornal Nacional
Via: G1
Atualizado em 16 de maio de 2016

No Brasil, as reações às declarações do presidente foram imediatas. Em Dallas, nos EUA, onde está para receber uma homenagem, ele chamou os manifestantes que protestaram contra o bloqueio de verbas na educação de "idiotas úteis e massa de manobra". Bolsonaro recebeu muitas críticas de associações de professores e estudantes e também no meio político.

A presidente executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, cobrou respeito a professores, alunos e a quem mais trabalha pela educação no país:

“Um governo que não trata com respeito quem está ali na ponta, dificilmente vai conseguir avançar nessa agenda. O Brasil já perdeu muito tempo, muitos anos, não priorizando a educação. A gente precisa, de fato, priorizar a educação. Mas de uma forma democrática, aberta, desarmada, sem acusações, de forma construtiva para a gente conseguir avançar. Se não, a gente vai ficar o tempo inteiro numa disputa, numa briga em que ninguém ganha. O país perde, os estudantes perdem, as pessoas, a população brasileira perde”.

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes) defendeu o diálogo com os estudantes.

“A posição dos estudantes cumpre um papel importante na vida democrática em nosso país. Ouvi-los, saber da sua mobilização sempre foi um sinal importante para que nosso país evitasse retrocesso, evitasse compromissos com a ignorância e não com o conhecimento”, disse o vice-presidente da Andifes, João Carlos Salles.

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior disse, em nota, que “fica chocado ao ver que o presidente da República não tem a sensibilidade de perceber o quão importante é para a população brasileira uma educação pública de qualidade, também fundamental para o crescimento econômico do país”.

À repórter Andrea Sadi, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que está em Nova York, disse que "educação também é saber ouvir, discutir com respeito e encontrar soluções para os nossos desafios. E isso vale para todos os lados. O Congresso vai fazer o seu papel: ouvir, discutir e apontar caminhos”.

No Congresso, as declarações do presidente causaram muito impacto, bem no dia da audiência com o ministro da Educação, que foi convocado pelos parlamentares insatisfeitos com os cortes na educação.

O deputado Diego Garcia, do Podemos, defendeu as palavras do presidente Jair Bolsonaro:

“O presidente coloca dentro de um contexto que são militantes, que estão ali fazendo toda essa arruaça, esse barulho, levantando essas bandeiras, fazendo protestos, mobilizando outras pessoas, que estão, infelizmente, muito desinformadas sobre a realidade e a verdade do que está acontecendo neste momento no país”.

A líder do governo, Joice Hasselmann, criticou os protestos, que chamou de manifestações ideológicas:

“O presidente nunca compactuou com esse tipo de manifestação ideológica, barulhenta e com muito pouca produtividade. Não tem como fazer diálogo com gente que está na rua gritando, que está na rua esperneando, xingando o governo Isso não é diálogo, isso é baderna. Quem está botando lenha na fogueira é quem está indo para a rua fazer baderna”.

Em nota, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse que a posição do presidente é que “as manifestações são legítimas e democráticas, desde que não se utilizem de violência nem destruam o patrimônio público”.

Mas deputados de vários partidos criticaram a declaração de Bolsonaro. O líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), disse que é inaceitável:

“É um desrespeito intolerável a estudantes, a professores, a pesquisadores que, de forma democrática, pacífica e legítima, decidem se manifestar a favor da educação brasileira. Isso não é postura de presidente da República”.

O deputado Tiago Mitraud, do Novo, cobrou serenidade e diálogo do governo:

“O que a gente tem que fazer nesses momentos onde a população está mais aflorada, ou algum setor do país, é dialogar. Acho que a gente não pode jogar mais lenha na fogueira, colocar gasolina ali. Nesse momento, a gente tem - quem está no governo - tem que ter uma postura de serenidade e de abertura ao diálogo que, infelizmente, parece que não foi o tom dessa declaração”.

O líder da Rede Sustentabilidade, Randolfe Rodrigues, chamou de desastrosa a declaração:

“É mais uma declaração desastrosa e irresponsável do senhor presidente da República. Ele está a quilômetros de distância daqui. A primeira provocação que levou os estudantes às ruas no dia de hoje partiu do seu governo. O próprio presidente da República, ao contrário de agir com responsabilidade que o cargo exige, bota mais lenha na fogueira”.



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