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terça-feira, 23 de outubro de 2018

2ª Turma do STF pedirá à PGR investigação sobre vídeo com ofensas a Rosa Weber

Ministro Celso de Mello criticou 'ódio visceral' de vídeo contra a presidente do TSE. Turma aprovou por unanimidade requerimento proposto por Gilmar Mendes para envio do caso à PGR.

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, durante entrevista à imprensa no último dia 7 — Foto: Nelson Jr/Ascom/TSE

Por Mariana Oliveira, TV Globo — Brasília
23/10/2018 15h29

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta terça-feira (23.10), por 5 votos a zero, requerimento para que a Procuradoria Geral da República (PGR) investigue vídeo publicado na internet com ofensas à presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Rosa Weber, e a outros ministros do tribunal.

No vídeo, uma pessoa que afirma ser coronel Carlos Alves afirma que, se o TSE aceitar ação contra o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, irá sofrer as consequências. "Se aceitarem essa denúncia ridícula e derrubarem Bolsonaro por crime eleitoral, nós vamos aí derrubar vocês aí, sim", diz o vídeo.

A proposta de investigação foi feita pelo ministro Gilmar Mendes e aprovada por todos os ministros.

No início da sessão da turma, o decano do tribunal, ministro Celso de Mello, pediu a palavra para criticar o vídeo. Segundo ele, o vídeo ofendeu a honra da ministra, que tem "honorabilidade inatacável" com "palavras grosseiras e boçais".

Segundo Celso de Mello, alguns cidadãos abusam dos privilégios da liberdade de expressão. Para o ministro, foi um "ultraje inaceitável" ao Supremo o vídeo.

"Optam por manifestar ódio visceral e demonstrar intolerância com aqueles que consideram inimigo. Tem incapacidade de conviver com harmonia no seio de sociedade fundada em bases democráticas. Todo esse quadro imundo que resulta no vídeo que mencionei que, longe de traduzir liberdade de palavras, constitui corpo de delito com ofensas", afirmou o decano.
Ex-presidente do Supremo, Cármen Lúcia, também endossou as palavras.

O ministro Gilmar Mendes afirmou que o país vive "momento delicado" e é preciso que haja serenidade.

"O que se quer é criar ambiente de terror e suspeitas se resultados não atenderem determinadas expectativas. Isso é crime de lesa pátria e lesa democracia", afirmou Mendes, que propôs envio do caso à PGR para abertura de investigação.

O ministro Fachin também falou sobre o tema: "Agressão a um juiz é agressão a toda magistratura", afirmou.

O advogado Alberto Toron, que atua no Supremo, pediu a palavra e citou ainda declarações do filho de Bolsonaro, que falou que bastava um soldado e um cabo para fechar o Supremo.

"Frase sobre cabo e soldado é de gravidade, atrocidade, não somente ao Judiciário, mas à democracia. Não basta ataque à instituição, há necessidade do achincalhe pessoal. Nós advogados, senhor presidente. mais que nossa solidariedade, queremos erguer nossas vozes para dizer que esses ataques são intoleráveis e inaceitáveis", disse o advogado.


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