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terça-feira, 9 de novembro de 2021

Carlos apaga tuíte com crítica ao PL após notícia da filiação de Bolsonaro

Carlos Bolsonaro chora em sessão da Câmara
Imagem: Reprodução/Rio TV Câmara

Horas depois de correr notícia sobre a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL, o filho dele, vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), apagou uma publicação de 2016 sobre um suposto caso de corrupção envolvendo Valdemar da Costa Neto, presidente da sigla que viabilizará a candidatura de Bolsonaro às eleições presidenciais de 2022.

Na publicação, o vereador compartilhava reportagem sobre proposta de delação premiada à Lava Jato em que o empreiteiro José Antunes Sobrinho, sócio da empresa Engevix, dizia ter doado cerca de R$ 2,5 milhões a Costa Neto e ao PL, que à época era conhecido como Partido da República (PR). "Exclusivo: Delator aponta propina de 3,5% para PR e Valdemar Costa Neto nos contratos de Furnas", dizia a postagem de Carluxo, feita em 27 de abril de 2016, com um link de reportagem da revista Época.

Em 2012, Costa Neto foi condenado a sete anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão. Depois de quase um ano em reclusão, passou a cumprir prisão domiciliar. No entanto, em maio de 2016 foi solto depois de o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, conceder perdão da pena e determinou a expedição de alvará de soltura.


Atualmente, os três filhos políticos de Bolsonaro estão em partidos distintos: Carlos é vereador no Rio de Janeiro pelo Republicanos; Flavio é senador pelo Patriota; e Eduardo é deputado pelo PSL

Filiação acertada O presidente Jair Bolsonaro decidiu hoje que concorrerá às eleições presidenciais de 2022 pelo PL.

O ingresso do presidente —sem partido desde 2019— ao PL foi confirmado por interlocutores próximos a Bolsonaro, ouvidos pelo UOL. A data da cerimônia está em discussão. Mas, segundo congressistas do PL, a sigla trabalha para que a cerimônia de oficialização seja realizada em 22 de novembro. A apoiadores, o presidente afirmou que a filiação pode acontecer ainda esta semana. Desde que deixou o PSL, devido a desentendimentos com a cúpula da sigla, Bolsonaro tentou criar o Aliança Pelo Brasil, mas o projeto acabou não saindo do papel a tempo.

Bolsonaro também chegou a discutir seu retorno ao Progressistas (PP), partido do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, pelo qual Bolsonaro foi deputado de 2005 a 2016. "Tentei e estou tentando um partido que eu possa chamar de meu e possa, realmente, se for disputar a Presidência, ter o domínio do partido. O PP passa a ser uma possibilidade de filiação nossa", relatou o presidente em julho.

Mas, com o martelo batido hoje, Nogueira já teria sido avisado sobre a decisão do presidente de não voltar ao Progressistas.

"Sempre falo com o presidente. Sempre tive contato com o Bolsonaro. Agora, tivemos o contato anterior e as coisas andaram. Fiz nossa gravação convidando ele para vir par ao partido. Hoje ele [Bolsonaro] me informou que falou com o Ciro [Nogueira, do PP], falou com os outros partidos. Ele tem que se entender com todos, nós temos que nos entender para que todos sejam atendidos. Porque política é isso", disse Costa Neto.

"Hoje, o PP tem a presidência da Câmara. Amanhã vamos querer ter essa presidência. Tem a reeleição do Arthur [Lira, do PP], vamos apoiar e depois de nós vem o PRB [Republicanos]. Todos têm que crescer, todos têm que ter essa vantagem, não pode ficar para trás. Se temos um grupo, temos que estar unidos. Mas ele [Bolsonaro] falou comigo que falou com Ciro hoje, Ciro entendeu, vamos tocar para frente o assunto e vamos ver quando vamos fazer a filiação", concluiu o ex-deputado do PL, na gravação.

Divisão do PL 

A ala conservadora do PL recebeu bem o ingresso de Bolsonaro ao partido. Para o deputado federal Lincoln Portela (PL-MG), a escolha é positiva para a democracia. "A aliança é boa para o presidente e para o PL. As ideias comungam, o partido vota em 93% com o presidente da República, e é liberal. A expectativa é boa e tudo já está ajustado", disse ao UOL.

Mais cedo, o senador Welington Fagundes (PL-MT) considerou que as diferenças regionais do PL podem levar a um racha interno. "É possível ter coligações diferentes, até porque na legislação não tem verticalização", disse a jornalistas. 

O positor declarado de Bolsonaro, o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM) tem dito desde janeiro deste ano que estaria em palanque contrário ao de Bolsonaro nas eleições de 2022. Após a notícia da filiação, nesta segunda, o congressista usou suas redes socais para afirmar que, em respeito ao PL, não comentaria o caso. 

A bancada do PL na Câmara é composta atualmente por 43 deputados. É a terceira mais numerosa da Casa, atrás apenas do PT (53) e do PS.

Colaboração para o UOL, em Brasília 08/11/2021 

Blog SNP

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