segunda-feira, 26 de abril de 2021

Otimismo pode ajudar na recuperação da Covid-19


Foto: Arquivo Pessoal

Com Pernambuco chegando à marca dos 335.035 curados, crer na recuperação é fundamental para renovar as esperanças em meio ao turbilhão de emoções causadas pela pandemia da Covid-19. Quando se está na posição de paciente, algumas medidas podem colaborar no processo de reabilitação, sem que se deixe de seguir as recomendações médicas à risca. Íris Maria da Silva, psicóloga e colaboradora do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco, pontua que a esperança, ou processo de otimismo, não pode deixar de lado o tratamento médico e as recomendações de prevenção da Organização Mundial da Saúde (OMS), pois a esperança é um aliado e não a solução.

“O negativismo e o medo atrapalham nesse processo, por isso devemos apostar na esperança enquanto passa pelo tratamento. Isso faz com que a pessoa vá ressignificando muita coisa e isso tudo é muito importante no processo.”

Com isso, a recomendação é que os pacientes devem ter uma atitude positiva, pois essa postura faz com que haja maior liberação de endorfina – hormônio que proporciona a sensação de bem-estar – melhora o humor, e ajuda a fortalecer o sistema imunológico. Por isso, além das recomendações e cuidados médicos, é preciso cuidar da mente, como foi o caso de Alejandro Villarroel Guerrero. Em maio de 2020, o contador e empresário de 56 anos foi acometido por indisposição, febre constante e começou a se cuidar em casa com ajuda do cunhado, que é clínico geral.

Diante da permanência dos sintomas e agravamento do caso, Alejandro foi orientado a procurar atendimento médico e precisou ser internado. Em seguida foi para a UTI, entubado e necessitou de traqueostomia para combater o vírus mais fortemente. O contador foi liberado para voltar ao lar doismeses depois e totalmente livre da Covid-19.

Nos mais de 60 dias, Alejandro se apegou a cada célula do corpo para trabalhar a favor de sua recuperação e acredita que o apoio da família tenha sido imprescindível. Ele é natural do Chile, mas contou que seu renascimento aconteceu em Pernambuco, ao ser confirmada sua cura. O contador relatoucomo foitodo oprocesso de sua recuperação do novo coronavírus e os fatores que contribuíram para que a caminhada até a totalidade da reabilitação pudesse ser alcançada. 

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Quando foi confirmado que você estava com Covid-19, o que passou pela sua cabeça?

Um medo profundo se instalou em mim. Adoeci em maio do ano passado. Não havia, ainda, estudos e profissionais com experiência no enfrentamento da infecção por SARS-Cov-2 (Covid-19). Pensei: estava me cuidando tanto. Como esse vírus entrou em minha casa? Fiquei muito assustado!

Quando houve o agravamento do caso, o suporte familiar foi essencial para se manter confiante?

Sim! Foi imprescindível. Passei dois meses hospitalizado. Boa parte desse tempo, em situação muito grave. Mas, eu sabia que não estava abandonado. Sei que essa segurança afetiva contribuiu muito para minha recuperação. Em um adoecimento, como o causado pela Covid-19, o suporte familiar faz parte da cura. Funciona como um remédio. Não tenho dúvida. Os profissionais que cuidaram de mim podem testemunhar o bem que a presença de minha esposa e de meu filho me fazia. Meus cunhados, minha sogra, minha mãe e meus irmãos também cuidaram de mim. Um aspecto perverso dessa doença é o isolamento. Por isso, quando algum conhecido adoece, sempre comento que o apoio familiar cura. Lembrei agora de Ernest Hemingway: “Quem estará nas trincheiras ao teu lado? - Isso importa? Se esse escritor me fizesse essa pergunta eu responderia: minha esposa, meu filho, meus cunhados, minha sogra, minha mãe, estão ao meu lado. Eles são e foram essenciais para eu estar aqui hoje contando essa história.

Foto: Arquivo Pessoal

Como foi a experiência de conseguir se curar de uma doença que está assustando tanto?

Uma experiência muito forte. Falo isso porque não foram poucos, nem pequenos, os tormentos que vivi. Passei quase dois meses na UTI. Fui entubado e necessitei de traqueostomia. Tive que reaprender a falar, a comer, a andar. Foi uma experiência de vitória coletiva. Vivi o tormento da doença, mas não o da falta de empenho em favor da minha vida. Saí do hospital com a certeza de que fui cuidado com dignidade. Tenho muita gratidão. Sou um exemplo concreto de cura. A cura é possível.

A sua vida foi ressignificada?

Sem dúvida! Meu primeiro nascimento foi no Chile, sou santiaguense. Meu segundo nascimento foi no Brasil, sou pernambucano. Renasci no Hospital Português, no ano passado, pelas mãos de muita gente. Desde então, não são poucas as vezes que me pego avaliando meus conceitos e comportamentos…

Qual mensagem você deixaria para quem está passando pela situação que você passou?

Que acredite na cura. Que, se tiver crença, tenha fé. Também diria para ter paciência porque, durante o tratamento, cada dia é um dia. Sugeriria que colaborasse, mesmo quando o incômodo, o medo, forem grandes. Hoje sei que acreditar na cura é parte dela. 


FONTE: Diário de Pernambuco
Por: Thays Martins, 26/04/2021




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