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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

'As cinzas da ciência': paleontólogo lamenta incêndio no Museu Nacional, com fóssil mais antigo das Américas no acervo

Pesquisadores consideram que o fóssil de Luzia tem cerca de 11.500 anos. ‘Não vai salvar absolutamente nada’, disse Cástor Cartelle, que tem forte relação com o museu.

Por Flávia Cristini, G1 MG, Belo Horizonte
02/09/2018 23h17

Pesquisador Cástor Cartelle, curador da coleção de Paleontologia do Museu de
Ciências Naturais da PUC Minas (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Uma das maiores referências em Minas Gerais em paleontologia, Castor Cartelle, 80 anos, se emocionou ao ver as chamas que consumiam o Museu Nacional no Rio de Janeiro. Ele disse não ter qualquer esperança sobre a preservação do acervo. O prédio, na Quinta da Boa Vista, abriga cerca de 20 milhões de itens, dentre eles o fóssil de Luzia, descoberto em Minas Gerais e considerado o mais antigo encontrado nas Américas. “As cinzas da ciência”, definiu.
Cartelle é curador da coleção de Paleontologia do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas e tem forte relação com o Museu Nacional. Nascido na Espanha, ele veio para o Brasil em 1957 e estudou no prédio, sobre o qual diz conhecer cada canto.
“Conhecia cada peça da coleção. Luzia estava na seção de arqueologia. Não vai salvar absolutamente nada", disse o paleontólogo.
Na década de 70, o fóssil humano foi encontrado na cidade de Pedro Leopoldo, na gruta Lapa Vermelha, localizada na região arqueológica de Lagoa Santa, pela francesa Annette Laming-Emperaire. Luzia é considerada por pesquisadores como o mais antigo fóssil humano já achado nas Américas, com cerca de 11.500 anos.

Reconstituição do fóssil de Luzia feita por computador pela BBC (Foto: Reprodução/TV Globo)

Segundo o estudioso, em Minas Gerais, há uma réplica em 3 D de Luzia, a qual foi entregue pela curadoria do Museu Nacional à Prefeitura de Pedro Leopoldo há cerca de dois meses. Ele também havia pleiteado uma cópia para uma exposição sobre evolução que está sendo preparada na PUC Minas, mas não chegou a recebê-la.

Cartelle classificou o incêndio como uma “tragédia anunciada” por causa da necessidade de manutenções no imóvel. Segundo ele, o teto e o piso de madeira favoreceram a propagação das chamas. “É pólvora, vai estourar tudo”, disse, temendo a possibilidade de desabamento.

A reportagem também conversou com arqueólogo André Strauss, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia na Universidade de São Paulo (USP). Ele falou sobre a importância do fóssil e de todo o acervo do Museu Nacional.

“Um dos esqueletos considerado como mais antigo da América. A última vez que tive que estudar o crânio, há cerca de quatro anos, estava muito bem guardado em um case especial”, disse. Segundo ele, uma réplica ficava para exposição, enquanto o lugar do original estava na reserva técnica.

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