domingo, 8 de julho de 2018

Legado do Mestre Salu para a cultura popular é reverenciado na Fenearte

Exposição e programação da feira dialogam com a obra do artista ‘múltiplo’.

Mostra expõe estandartes do Maracatu Piaba de Ouro (Foto: Penélope Araújo/G1 PE)

No próximo mês de agosto, completam-se dez anos da partida de Manuel Salustiano Soares, músico e artesão conhecido como Mestre Salu. Nesta 19ª edição, a Fenearte presta homenagem ao mestre e mostra que sua obra e seu legado permanecem vivos, inspirando as novas gerações de artistas populares.

O artista, que recebeu o título de Patrimônio Vivo em 2007, nasceu em Aliança, no interior de Pernambuco, e é considerado um dos maiores representantes da cultura popular nordestina.

Espaço Salu reverencia o mestre 'múltiplo' (Foto: Penélope Araújo/G1 PE)

“Ele era inquieto, sempre tinha novas ideias para mostrar a arte da nossa terra para o mundo. A gente nunca o via de cabeça baixa. Ele dedicou a vida a lutar pela cultura popular, e sempre manteve suas raízes”, comenta Pedro Salustiano, um dos 15 filhos do Mestre Salu.

Entre os frutos dessa inquietação artística, estão o Maracatu Piaba de Ouro, o Cavalo Marinho Boi Matuto e a Casa da Rabeca do Brasil, por exemplo, criados pelo artista para preservar as tradições culturais nordestinas.

Hoje, quem está à frente da obra de Mestre Salu é a família Salustiano. Ao todo, são 15 filhos - todos envolvidos com a cultura popular. “Seja no maracatu, caboclinhos, cavalo marinho, forró, teatro, coco, ciranda, artesanato, cada um tem um dom artístico. Ele passou isso para a gente e, é assim que nós mantemos essa tradição. Quando nos juntamos, é sempre uma festa”, diz também Pedro Salu.


Na Fenearte, a presença de Mestre Salu está por toda a parte: desde os detalhes da decoração até as homenagens feitas na programação do evento. No mezanino, foi montado o Espaço Salu, que conta um pouco da história do mestre por meio da exposição de objetos do acervo da família, como sua rabeca, além de figurinos e estandartes do Maracatu Piaba de Ouro, agremiação que foi responsável pela abertura do evento.

Ao longo da feira, também estão agendadas apresentações do Boi Matuto, Maciel Salu, Dinda Salu e os Cabras Desmantelados e ainda da Família Salustiano e a Rabeca Encantada. Já na programação de oficinas, o público pode aprender a tocar a rabeca, o instrumento musical mais popularizado pelo Mestre Salu, além de dar os primeiros passos na dança do cavalo marinho e de aprender técnicas de bordado para a gola do caboclo de lança, personagem mais conhecido do maracatu.

O Mestre Salu ganhou ainda um estande especial, comandado pelos seus filhos. No espaço, estão à venda instrumentos musicais, CDs, DVDs, roupas e outros artesanatos produzidos pela família do artista. “Ficamos muito felizes com esse reconhecimento, mostrando de onde Salu saiu e até onde ele chegou, que foi mostrar a nossa cultura para o mundo, tudo feito com muito gosto e muito carinho”, completou ainda a filha do mestre, Imaculada Salustiano.

A Fenearte segue até 15 de julho, funcionando das 14h às 22h nos dias úteis e das 10h às 22h, nos fins de semana. De segunda a sexta-feira, a entrada custa R$ 10 e R$ 5 (meia), enquanto aos sábados e domingos o preço é de R$ 12 e R$ 6 (meia). Os ingressos são vendidos online, em pontos descentralizados e na bilheteria do evento.

Pedro e Imaculada Salustiano, filhos do Mestre Salu, cuidam de estande especial (Foto: Penélope Araújo/G1 PE)

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