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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Após ser enterrada viva, recém-nascida sobrevive, o ocorrido foi no Mato Grosso

Família seguiu costumes indígenas e enterrou a menina por pensar que ela morreu após o parto. Criança foi transferida para UTI em Cuiabá.

Por Denise Soares, G1 MT
07/06/2018 

Recém-nascido está internado no Hospital de Água Boa (Foto: Polícia Militar de MT)

O suposto envolvimento da mãe e da avó da índia recém-nascida – que foi resgatada por policiais depois de ser enterrada viva pela família dela, em Canarana, a 838 km de Cuiabá – será apurado pela Polícia Civil de Mato Grosso.

A menina, que sobreviveu depois de ficar seis horas enterrada, foi transferida na noite dessa quarta-feira (06.06) para Cuiabá. A bisavó da bebê, Kutsamin Kamayura, de 57 anos, foi presa e alegou que a criança não chorou e, por isso, acreditou que estivesse morta.

Segundo o delegado Deuel Paixão de Santana, a bisavó – que teve a prisão convertida em preventiva depois de passar por audiência de custódia –, foi encaminhada para a cadeia pública de Nova Xavantina, a 651 km de Cuiabá.

Índia recém-nascida resgatada após ser enterrada viva foi transferida para Cuiabá (Foto: Abelha Táxi Aéreo)

“Temos 10 dias para concluir o inquérito. Vamos traçar uma linha de investigação para saber se houve participação da adolescente [mãe da bebê] e da avó. Até então, a única pessoa presa é a bisavó, que enterrou a criança”, disse ao G1.

 Além da bisavó, avó e a adolescente, o delegado já ouviu funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Casa de Assistência à Saúde Indígena de Cuiabá (Casai). Vizinhos e indígenas também serão ouvidos na delegacia nos próximos dias.

UTI




De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a menina foi trazida numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea. Ela chegou às 19h40 da quarta-feira (06.06) na capital e foi levada para a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, onde está internada em uma UTI neonatal.

Antes, a criança estava internada no Hospital de Água Boa, a 736 km de Cuiabá. Segundo a SES, a bebê está com hipotermia grave e distúrbio de coagulação, conforme informou a pediatra de Água Boa, e, por isso, foi necessária a transferência para UTI Neonatal em Cuiabá.

Milagre

Comandante (ao centro) e policiais que resgataram índia recém-nascida enterrada viva em Canarana (Foto: Denise Soares/G1)

Para o major e comandante da Polícia Militar em Canarana, João Paulo Bezerra do Nascimento, o resgate é visto como um milagre por policiais que ajudaram a salvá-la.
“Ela foi enterrada no quintal, colocaram um saco com latinhas e uma bicicleta para disfarçar. Não acredito na versão da família [que acreditava que a menina estivesse morta]”, declarou o comandante ao G1.
Segundo o major, a menina foi enterrada em pé, envolvida em um pano. “Ninguém acreditava que essa criança estivesse viva, foi um milagre”, contou o policial.

O comandante, que está há 14 anos na corporação, se emociona ao falar sobre o caso, já que é pai de uma menina de 9 meses.
“Nunca passei por isso. É inexplicável. Espero nunca mais passar por isso. É uma situação diferente de tudo que passamos na polícia”, relatou.
Parto

A mãe da criança, de 15 anos, sentiu contrações e deu à luz no banheiro da casa. O bebê teria batido a cabeça no chão e não teve reação após o nascimento, segundo a família. A história foi descoberta após uma denúncia anônima feita na Polícia Militar. A mãe da adolescente e a mãe do bebê foram ouvidas na delegacia e liberadas.

Resgate e prisão da bisavó

Kutsamin Kamayura é bisavó da índia recém-nascida em Canarana (Foto: Polícia Civil de MT/Assessoria)


A Polícia Civil estima que a criança ficou enterrada por seis horas – entre as 14h e 20h de terça-feira em uma cova de 50 centímetros de profundidade. A bisavó, Kutsamin Kamayura, de 57 anos, foi ouvida e alegou que a criança não chorou e, por isso, acreditou que estivesse morta. Seguindo o costume da comunidade indígena, ela enterrou o corpo no quintal, sem comunicar os órgãos oficiais.

A bisavó da índia teve a prisão convertida em preventiva depois de passar por audiência de custódia nesta quarta-feira. Na decisão, o juiz Darwin de Souza Pontes, da 1ª Vara de Canarana, a ordem pública como motivo para determinar a prisão preventiva de Kutsamin. Ela deve responder por tentativa de homicídio.

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