quarta-feira, 9 de maio de 2018

Deputados iranianos queimam bandeira dos EUA após anúncio de Trump sobre pacto nuclear

Presidente iraniano, Hassan Rohani, anunciou na terça (8) que país 'continuará' no acordo nuclear se seus interesses estiverem garantidos.

Por G1
09/05/2018 

Deputados iranianos queimam bandeira dos EUA no Parlamento do Irã (Foto: HO / Agência de Notícias da Assembleia Consultiva Islâmica / AFP Photo)

Um grupo de deputados iranianos ateou fogo à bandeira dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (09.05), na sede do Parlamento do Irã, assim como em um documento que representava o acordo nuclear, em protesto pela decisão do presidente americano, Donald Trump, de se retirar do pacto.

O parlamentar conservador e chefe do comitê nuclear, Moytaba Zolnuri, subiu à tribuna do plenário e, antes de queimar a bandeira americana, gritou o lema revolucionário: "morte aos EUA".

Outros deputados saudaram com entusiasmo a queima da bandeira e gritaram: "Vocês incendiaram o JCPOA (sigla em inglês do pacto) e nós queimamos a bandeira de vocês".

Este gesto simbólico acontece no dia seguinte ao anúncio de Trump de que os EUA deixam o acordo assinado em 2015 entre Irã e seis grandes potências e que voltará a impor sanções econômicas contra o Teerã. A decisão foi condenada por seus aliados europeus e elogiada por Israel e Arábia Saudita. Veja repercussão.

O acordo limita o programa nuclear de Teerã em troca do levantamento de sanções, mas, segundo Trump, é "desastroso" e não cumpre seu objetivo de o Irã não conseguir a bomba atômica.

'Narcisista e ignorante na política'

Durante a sessão no Parlamento do Irã, o presidente do Parlamento descreveu Trump como um indivíduo "narcisista e ignorante na política". Ali Larijani se perguntou se "é uma honra desempenhar o papel dos bandidos e ser uma marionete de um grupo de responsáveis sem-vergonhas da região como o regime sionista (Israel)".
"Trump não tem capacidade mental para lidar com adversidades", disse Larijani.
Ele relembrou alguns dos "atos estúpidos" protagonizados por Trump. "Esta pessoa um dia na frente dos líderes do mundo na ONU anuncia que vai destruir o líder da Coreia do Norte" e, outro dia, "se esquece totalmente das suas palavras e diz que ele é uma pessoa respeitosa para negociar", criticou Larijani.

Ele também citou as mudanças bruscas ocorridas na Síria, onde Trump disse que queria tirar as tropas americanas e dois dias depois efetuou bombardeios. "O senhor Trump acha que a história dos países e das mentes das nações é esquecida e está se tornando inconsciente como a dele", ironizou.

Esforço diplomático

O presidente iraniano, Hassan Rohani, anunciou nesta terça à noite que o Irã "continuará" no acordo nuclear se seus interesses estiverem garantidos, e tomará "decisões" mais adiante em caso contrário.

Entre essas medidas, Rohani advertiu que o Irã pode voltar a enriquecer urânio a "nível industrial".

O objetivo agora é conversar com os demais signatários do pacto - Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha - para comprovar se preservarão o acordo. Nesta quarta, países europeus anunciaram uma reunião com o Irã para a próxima segunda-feira.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, informou que "em resposta às persistentes violações dos EUA e a retirada ilegal do acordo nuclear "vai realizar" um esforço diplomático para descobrir se os outros signatários do JCPOA podem garantir seus benefícios completos para o Irã".

"O resultado (dessas consultas) determinará a nossa resposta", disse Zarif, em sua conta do Twitter, alinhado com o anúncio feito pelo presidente.


Nenhum comentário:

Postar um comentário