PONTO DO BEM

PONTO DO BEM
PETROLÂNDIA-PE

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Nova morte suspeita de febre amarela é investigada em Mairiporã; vítima recebeu tratamento de outras doenças


Por Alan Severiano, Jornal Hoje
15/01/2018


Infográfico mostra como ocorre a infecção por febre amarela 
(Foto: Alexandre Mauro/Editoria de Arte G1) 

Um técnico em refrigeração de 31 anos morreu em Mairiporã, na Grande São Paulo, sob suspeita de febre amarela, após ter sido atendido e tratado por vários médicos da rede pública de saúde e receber diagnóstico de outras doenças.

Em todo o estado a Secretaria da Saúde confirmou 21 mortes pela doença, sendo três delas em Mairiporã. Até o sábado (13), a Prefeitura já havia vacinado mais de 90% da população.

Fotos feitas por familiares mostram Anderson Lopes cinco dias após ficar doente, quando estava com a pele completamente amarelada. Ele morreu em 9 de janeiro e os exames sobre a causa da morte ainda estão sendo aguardados. Anderson não tinha tomado a vacina contra a febre amarela e deixou dois filhos, de 6 e 8 anos.

As autoridades de saúde tratam o caso como suspeita de febre amarela. “Ele já estava nas últimas, falou comigo bem baixinho e quando foi na segunda-feira, ele faleceu. Para mim foi muito triste, meu filho”, diz a mãe de Anderson, Anailde de Oliveira.

Foi em casa que Anderson apresentou os primeiros sintomas no dia primeiro de janeiro: febre, dor de cabeça, dor no corpo. No mesmo dia, ele foi levado a um hospital aqui de Mairiporã. Começava aí uma peregrinação em busca do diagnóstico e de tratamento. A a mulher de Anderson, Maria Dolores, diz que no primeiro hospital municipal, ele passou por exames e o médico deu o seguinte diagnóstico.

“Ele falou que era rinite, sinusite, deu uma medicação pra febre pra cortar a dor e deu inalação”, diz a viúva, Maria Dolores Faria Moraes. Anderson piorou e um dia depois foi parar numa UPA (unidade de pronto atendimento) do município de Franco da Rocha.

“Fizeram hemograma e exame de urina, aí falou que era infecção de urina mas estava muito leve”, explica a viúva.

No dia 4 de janeiro, ele voltou a procurar os serviços de saúde. Maria Dolores conta que os médicos suspeitaram de enxaqueca. “O médico falou que podia ser gases. Fez o raio x, e não tinha gases”, diz a viúva.

No dia 5, com dores mais fortes, Anderson ficou numa cadeira de rodas. E diante de novos exames, o mesmo médico que tinha atendido ele no dia 1 de janeiro deu a notícia. “Ele falou assim: ‘vou te dizer uma coisa: seu marido está com febre amarela’. Eu falei para ele: ‘doutor, passei com você dia primeiro, o senhor falou que tinha rinite, sinusite”.

Já muito doente, Anderson foi transferido pra um hospital estadual em Franco da Rocha, onde o caso se agravou. Para a viúva, houve descaso, pois “foram cinco diagnósticos, nove dias pra descobrir. Só no último dia o médico fala que foi febre amarela".

O Instituto Adolfo Lutz ainda não divulgou o resultado dos exames para confirmar se Anderson Lopes de Oliveira tinha febre amarela.

A Prefeitura de Franco da Rocha informou que o paciente foi atendido três vezes e medicado, sem que houvesse suspeita de febre amarela.

A assessoria do hospital de Mairiporã Nossa Senhora do Desterro, onde foram feitos os primeiros atendimentos, também não se manifestou.

A secretaria de Saúde do Estado disse que técnicos do governo estiveram em Mairiporã na semana passada para orientar o município sobre a triagem e o manejo dos casos suspeitos e que a rede estadual está capacitada pra diagnosticar pacientes com doenças infecciosas.

A reportagem pediu uma posição dos médicos que atenderam a vítima e aguarda posição.

Nova morte suspeita de febre amarela é investigada em Mairiporã; vítima recebeu tratamento de outras doenças


Nenhum comentário:

Postar um comentário