PONTO DO BEM

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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Jatobá: Da Cidade Livre à Record TV- Conheça a história de sucesso de Chico Paz (Fotos)




Falar de Chico Paz é falar da competência de um dos melhores profissionais que conheço em televisão! Chico tem olhos nas mãos e uma sensibilidade anormal da notícia. Ele faz de um ângulo o momento exato que a notícia merece! Tem mais apuração do que muitos diretores e um excelente tato de direção externa. Trabalhar com ele é ter aula, tem respeito com a câmera e vai além de uma filmagem. Consegue o detalhe da imagem, tem olhos de telespectador. Chico está acima de um cinegrafista, seu talento vai além de apenas filmar. Ele faz a imagem se eternizar na forma de pensamento, no pensamento de todos nós!” – Geraldo Luís, apresentador do programa Domingo Show e fã de Chico Paz.

Referendado pelo âncora do Domingo Show (Record TV), Geraldo Luís, o cinegrafista Chico Paz é mais um dos cidadãos forjados no sertão do São Francisco que merece ter sua história referendada pelo Portal Jatobá.

Em conversa com a nossa reportagem, “Chico do Boi” – como ficou conhecido nas terras Jatobaenses ao longo dos anos vividos na época de pré-emancipação do município – contou sobre sua chegada à antiga “Cidade Livre”, as dificuldades enfrentadas e amigos feitos na comunidade, bem como o início da carreira na TV.

Poucos sabem, mas o sertanejo que desistiu da escola na juventude e corria vaquejada sempre teve grandes ambições. “Fiz curso de teatro e até cheguei a fazer um espetáculo, mas como não tinha muito tempo, tive que deixar”, recordou. Porém até chegar nos bastidores televisivos, onde encontrou-se profissionalmente, passou por diversas provas de vida.

“Passei por humilhação, por desprezo, por perigo, dormia no chão, lavei carros para ganhar gorjeta e comer por algum tempo. É uma história muito longa, com muitos acontecimentos bons e ruins, que prefiro lembrar apenas como uma grande lição de vida” destacou o paraibano.

Na entrevista a seguir, conheça um pouco mais da trajetória de sucesso deste cidadão.

Portal Jatobá – Chico, em que ano você chegou à antiga ‘Cidade Livre’, hoje Jatobá/PE?

Chico Paz – Vamos lá: eu, Francisco Paz, nasci na Paraíba, na cidade de Itaporanga. Cheguei a Jatobá no ano de 1978, com seis anos de idade, junto com minha família. A cidade ainda estava muito pequena; não tinha saneamento básico, as ruas eram de terra e não tinha água encanada. E naquela época o que estava atraindo o povo a morar naquele povoado era a construção da Usina Luiz Gonzaga. Aos poucos o meu pai, Rafael Paz de Sousa, foi construindo nossa casa com dificuldades; pois o salário que ganhava era muito pouco. Porém com muita dignidade, carinho e amor conseguiu criar seis filhos. 

Portal Jatobá – Muitas dessas dificuldades tiveram grande influência nos seus estudos, não é?

Chico Paz – As atividades do dia a dia em casa – transportar água do chafariz pra casa, ajudar meu pai na construção da nossa casa, trabalhar na roça com meu pai, entre várias outras situações – acabavam dificultando meu desempenho na escola. Muitas vezes eu dormia na sala de aula, de tão cansado. Na época não tinha plano de governo para educação, então todo material escolar era meu pai que tinha que comprar. E mesmo com poucas condições ele sempre fez tudo que pode por todos seus filhos. Minha juventude foi muito sofrida: eu tinha muitos sonhos e havia muitos obstáculos. Eu não tinha objetivos pra o futuro, não tinha uma profissão a seguir, não tinha tempo para estudar, condições financeiras para fazer um curso, não tinha dinheiro para comprar boas roupas e sapatos… Então minha mãe que fazia nossas roupas, pois ela era costureira. Sofri com bullying na escola muitas vezes por estar com uma roupa que não foi comprada em uma loja; por usar tênis rasgado, leite de favela como cola e muitas outras coisas… E por isso, acabei deixando a escola. Mas nunca deixei de sonhar e ouvir o melhor artista do mundo, o meu pai, que teve o talento de me dar educação, amor, o que comer e beber, e o mais importante: ser humilde sempre e respeitar as pessoas como a si mesmo.

Portal Jatobá – Quando e como foi sua saída de Jatobá?

Chico Paz – A minha saída de Jatobá foi de uma maneira rápida e sem pensar muito. Eu estava desempregado, sem dinheiro, sem futuro, sem objetivos na vida e cansado de depender do meu pai para ter as coisas, então eu resolvi ir pra São Paulo para tentar uma vida melhor. Chegando lá, fui trabalhar em uma madeireira do meu amigo Severino (Biu Magro), que corria vaquejadas com Sonaldo. Trabalhei com ele durante nove meses e depois fui pra o interior do estado, trabalhar com o Cicero, outro amor. Ele atuava profissionalmente com vaqueiros, mas não deu muito certo porque esse não era meu objetivo. Após um ano voltei pra São Paulo para trabalhar em um posto de combustíveis no Bairro Jaçanã, onde começou mais um grande desafio. Passei por humilhação, por desprezo, por perigo, dormia no chão, lavei carros para ganhar gorjeta e comer por algum tempo, depois fui promovido a frentista e então começou um novo desafio na minha vida, mas é uma história muito longa com muitos acontecimentos bons e ruins, que prefiro lembrar apenas como uma grande lição de vida.

Portal Jatobá E como chegou à Record TV?




Chico Paz – Sempre tive um sonho de ver como era feita a televisão, e como São Paulo tem muitas oportunidades não pensei muito e comecei a sonhar de novo. Fiz curso de teatro e até cheguei a fazer um espetáculo, mas como não tinha muito tempo, tive que deixar e infelizmente fui humilhado novamente. Desta vez por pessoas que questionavam como um nordestino, que comia rapadura, queria trabalhar em televisão. Eu fiquei muito mal porque isso virou motivo de comédia no posto onde eu trabalhava, mas não tirou minha vontade e meu sonho de conquistar meus objetivos. Então um dia uma pessoa muito importante na minha vida, chamado Luís Otávio, viu o que estava acontecendo, falou que eu tinha talento para conseguir realizar seu sonho e virou meu amigo. Três meses depois que fizemos amizade, ele falou que era diretor de TV de uma produtora chamada de Arte Maker e aí, tudo começou: ele me ensinou muita coisa, investiu no meu conhecimento… Eu aprendi muito e muitas coisas aconteceram nesse período: pedi as contas do posto, trabalhei alguns meses com ele, depois voltei a trabalhar em posto, fiquei desempregado, gravei casamento e depois comecei a trabalhar em uma produtora chamada 18 Cinema e TV, que hoje não existe mais. De lá, fui pra TV Milenium, da TVA, como auxiliar de câmera e conheci um outro professor e grande amigo – Marcos Paradela, que na época era cinegrafista e hoje é diretor de TV no SBT. Depois fui indicado pra Rede Gospel, na qual trabalhei por dois anos e meio. Durante esse tempo eu também fazia freelance pra Record TV, no programa do Netinho de Paula [Domingo da Gente], especialmente para o quadro da princesa. Aí o diretor de operações da Record me convidou pra trabalhar na emissora por causa do ótimo trabalho que vinha fazendo. E estou neste trabalho até hoje.

Portal Jatobá – Você costuma visitar Jatobá nos dias atuais? Tem amigos inesquecíveis?

Chico Paz – Alguns foram embora e voltaram, outros foram e nunca mais voltaram, mas tem um deles que não está entre nós, mas está muito vivo em meu coração e no coração de todos de Jatobá e região. Falo do saudoso Sonaldo Alves Rangel, meu amigo, irmão conselheiro que me ajudou muito na juventude me falando o que era certo e o que era errado, além de toda sua família. Não tenho como falar de todos porque são muitos e um deles é você, meu amigo Whitney, do Portal Jatobá, que é conhecido por todos como “Tiney”. Você faz parte de minha juventude e também trabalhamos juntos no Posto Quixaba.

Portal Jatobá – Posto de combustíveis Quixaba. O tempo trabalhado lá te traz muitas lembranças?

Chico Paz – Depois de cuidar de cavalos, tirando capim, indo pras vaquejadas trabalhando com Sonaldo, o Posto Quixaba ainda é um lugar que todas as vezes que vou à cidade, tenho que passar por lá. Tenho muitas recordações daquele lugar porque está quase do mesmo jeito, não mudou muito. Quando passo por lá eu volto no tempo e me lembro de muitas coisas, vendo cada detalhe de onde foi o meu primeiro emprego com carteira assinada.

Portal Jatobá – ­Itomar Varjão: o que significa para você?

Chico Paz – O Itomar foi uma pessoa muito importante naquela época, me ajudou muito me deu chance de conquistar uma profissão de frentista. É um batalhador e um exemplo de ser humano que conquistou seus objetivos na vida. Gosto muito dele e é um dos amigos que sempre quero rever quando vou a Jatobá.

Portal Jatobá Finalizando, gostaríamos que nos contasse como surgiu o apelido de “Chico do boi”.

Chico Paz – Isso foi em uma vaquejada em Jatobá. Eu fui correr um boi e quando chegou na faixa, derrubei o animal e também caí. Mas quando me levantei, o boi veio em minha direção e me colocou pra fora da pista de uma maneira muito engraçada. Foi aí, então, que quando as pessoas falavam comigo sempre perguntavam: “E o boi, Chico?” Aí foi ficando “Chico do boi”.









Redação Portal Jatobá
Fotos: Arquivo pessoal Chico Paz
Colaboração: Jornalista Paula Theotônio


Considerações:

Junto com meu parceiro e amigo Eliel Agreste, e a equipe: Otávio Rogério, Allex Sandro e André Luiz,  tivemos o prazer e a honra de realizar um trabalho junto com Chico Paz, com o espetaculoso "Garota Espetacular", da equipe de teatro Sertão Produções Culturais, na cidade de Itacuruba-PE, em 2011, junto com Gerson de Souza, e o "Chiquinho", com o auxilio do "Mineiro" acompanhava o Gerson naquela reportagem, e ali conhecemos, o que de fato diz a reportagem do Portal Jatobá, que Chico Paz é de fato um grande profissional e um grande e belo ser humano, tem respeito as pessoas e ao seu trabalho, e merece todo nosso respeito pela sua pessoa e sua trajetória de sucesso.


Alexandre Sertão
     




Arquivo: Alexandre Sertão 
Fotos: Otávio Rogério

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