sexta-feira, 28 de julho de 2017

Corte de verbas da PF já afeta a Lava Jato, afirma coordenador da força-tarefa

Nesta semana, ministro da Justiça afirmou que PF vai ter que remanejar verbas para manter operações prioritárias. Governo faz contingenciamento para tentar conter rombo nas contas.

Foto Reprodução

Por Camila Bomfim, Jornal Hoje, Brasília
28/07/2017 13h32

coordenador da força-tarefa da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, afirmou nesta sexta-feira (28) que a falta de dinheiro para a Polícia Federal já compromete investigações da operação.

O contingenciamento das verbas da PF faz parte de cortes que o governo federal vem fazendo em diversas áreas para tentar conter o rombo nas contas públicas.

Para Dallagnol, a falta de dinheiro produz reflexos nas investigações e impediu que a PF pudesse deflagrar mais etapas da Lava Jato.

"Há uma serie de linhas de investigação que estão paradas ou andando de modo lento, quando elas poderiam já estar avançadas. Veja que das ultimas 7 operações pedidas e deflagradas na Justiça, da Lava Jato, 6 partiram do Ministério Público Federal, apenas uma da Polícia Federal. Se a PF estivesse com recursos humanos, tivesse com uma equipe adequada, nós teríamos em vez de 7, 12 operações, 6 da PF e 6 do MPF", afirmou Dallagnol.

A Polícia Federal tem 473 operações em andamento no país, mas o futuro das atividades da corporação é incerto. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, admitiu nesta quinta (27) que a falta de dinheiro do governo deve atingir ações policiais.



"Poderá implicar em um processo seletivo de ações, não realizar todas as operações necessárias e algumas... Não realizar todas as operações necessárias na extensão total, extensão parcial [...] Hoje, a Lava Jato é maior em Brasília do que em Curitiba. São Paulo já está ficando maior do que Curitiba também. Então, é uma redistribuirão de mão de obra, uma redistribuição de meios operacionais, que não significa em hipótese alguma diminuição de capacidade investigativa", afirmou o ministro em entrevista coletiva.

Depois dessa declaração, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que houve o remanejamento de R$ 2 bilhões para outras áreas, entre elas a Polícia Federal.

Questionada pela TV Globo sobre os recursos para operações, a assessoria do Ministério da Justiça informou que há um repasse mensal de R$ 70 milhões previsto para a Polícia Federal até o final do ano. Disse também que caso haja necessidade de mais recursos, serão realocados de outras operações. "A Lava Jato tem total apoio do ministério", afirmou a assessoria.

O contingenciamento de recursos da Polícia Federal foi de R$ 400 milhões. R$ 170 milhões foram repostos. Além disso, a corporação vai poder contar com os R$ 70 milhões mês a mês prometidos pelo ministério.

'Trabalho perdido'

Investigadores dizem que a lógica das operações é a ampliação - com o avanço das investigações surgem novas provas. E que não garantir as operações é desperdiçar todo o dinheiro já gasto no trabalho de inteligência, escutas e monitoramentos.

Eles também argumentam que interromper os trabalhos é como perder o fio da meada. Como os investigados costumam trocar telefones, endereços e redes de relacionamento, as investigações não podem ser interrompidas.

Segundo Carlos Sobral, presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal, a corporação não está iniciando novas investigações para poder usar a verba nas que já estão em curso e são consideradas prioridade.
"A PF hoje, pela falta de recursos, nós estamos sendo obrigados a não iniciar novos trabalhos para canalizar os recursos para as ações prioritárias. Então, para não parar aquelas que estão em andamento, a gente não consegue iniciar novas investigações. E, se nós não tivermos agora recursos para continuar sequer as que já estão em andamento, elas serão paralisadas", afirmou Sobral.

Ele disse ainda que qualquer interrupção nos trabalhos de uma operação, ainda que pequena, é perder anos de trabalho.

"Operação não é algo que você para hoje e volta amanhã. São anos de trabalho, de levantamento, de inteligência, para entender a dinâmica da organização criminosa, da estrutura, do funcionamento do crime organizado que envolve a corrupção. Parar um dia, uma semana, um mês, é perder anos de trabalho", concluiu o presidente da associação

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