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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Homens armados atacam parlamento e mausoléu no Irã; Estado Islâmico reivindica as ações

Doze morreram e 42 ficaram feridos nos dois ataques em Teerã. Para o governo do Irã, a Arábia Saudita está por trás dos atentados.

Fumaça é vista no prédio do Parlamento no Irã, alvo de ataque nesta quarta-feira (7) (Foto: Reuters)

Homens armados fizeram dois ataques simultâneos em Teerã, capital do Irã, na manhã desta quarta-feira (7). Doze pessoas morreram no Parlamento e no Mausoléu do Aiatolá Khomeini, segundo o chefe do serviço de urgências. A mídia estatal afirma que outras 42 pessoas ficaram feridas.

O Estado Islâmico reivindicou as ações. Para o governo iraniano, Arábia Saudita (aliada dos EUA) está por trás do ataque. Na tarde desta quarta, a mídia estatal do Irã anunciou a prisão de cinco suspeitos de conexão com os ataques.

O Parlamento iraniano foi invadido pela entrada principal por um grupo de homens armados com rifles Kalashnikov por volta das 10h no horário local (3h, no horário de Brasília), quando era realizada uma sessão. Os terroristas, que estavam vestidos com roupas femininas, dispararam contra os seguranças. Quatro pessoas foram mantidas reféns nos andares mais altos do edifício.

O ministro do interior iraniano, Mohammad Hossein Zolfaghari, afirmou que um dos terroristas foi morto pelos seguranças e outro morreu após detonar seu colete explosivo.


Ataques terroristas deixam mortos no Irã

As agências de notícias Fars e Tasnim informaram, cerca de cinco horas após a invasão, que quatro terroristas que permaneciam no Parlamento foram mortos pelas forças de segurança, dando fim à ação. A agência iraniana Tasnim informou que sete pessoas foram mortas pelos terroristas.



O Estado Islâmico divulgou um vídeo que mostra um homem baleado dentro do Parlamento e o barulho dos disparos. O grupo afirmou ainda, em um comunicado citado pela agência Reuters, que "não vai perder nenhuma chance" de realizar novos ataques no Irã.


Mausoléu

Já o mausoléu do Aiatolá Khomeini, a cerca de 25 km ao sul do parlamento, "três ou quatro" terroristas entraram pelo acesso oeste do edifício e abriram fogo. Eles mataram um jardineiro e feriram várias pessoas, de acordo com o relato de um funcionário à AFP. Dois agressores - um deles uma mulher - detonaram cargas explosivas do lado de fora do monumento, segundo as agências de notícias.

Cenas Fortes:

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Após atentado no Irã, Estados Islâmico divulga vídeo que mostra homem armado em Parlamento


O governo iraniano informou que um terceiro grupo planejava fazer um outro ataque, mas foram contidos pelas forças de segurança locais. Não informações sobre o local que eles atacariam ou quantas pessoas foram detidas.

Criança é retirada pela janela durante ataque ao Parlamento do Irã, em Teerã, nesta quarta-feira (7)
(Foto: Omid Vahabzadeh/Tima via Reuters)


Primeira vez no Irã

Essa é a primeira vez o Estado Islâmico, que é um grupo sunita, reivindica um ataque no Irã, que é um país de maioria xiita, de acordo com a Associated Press. O grupo extremista está em guerra com as forças apoiadas pelo Irã na Síria e no Iraque.

Para Guarda Revolucionária do Irã, a Arábia Saudita está por trás do ataque. "Este ataque terrorista aconteceu apenas uma semana após o encontro entre o presidente dos EUA [Donald Trump] e os líderes atrasados [sauditas] que apoiam terroristas. O fato de o Estado islâmico ter reivindicado a responsabilidade revela que eles estavam envolvidos no ataque brutal", afirma um comunicado divulgado pela mídia iraniana e reproduzido pela Reuters.

O ministro de Relações Exteriores da Árabia Saudita rejeitou a acusação, e afirmou que não há nenhuma evidência que indique o envolvimento do país no ataque. "Nós condenamos ataques terroristas em qualquer lugare e condenamos a morte de inocentes, não importa onde ocorra", afirmou Adel Al-Jubeir durante um evento em Berlim.

Após o ataque, o vice-chefe da Guarda Revolucionária do Irã prometeu retaliação contra o Estado Islâmico e seus aliados. "Não há dúvida de que vamos nos vingar dos ataques de hoje em Teerã, contra os terroristas, seus afiliados e seus apoiadores", afirmou o general de brigada Hossein Salami, segundo os meios de comunicação estatais.

Nos últimos dois anos, as forças de segurança iranianas anunciaram que desmantelaram várias células do EI no país que planejavam atentados.

Em março, o grupo radical divulgou um vídeo em persa no qual afirmava que iria "conquistar o Irã e devolvê-lo à nação muçulmana sunita", provocando um banho de sangue entre os xiitas.

Os atentados acontecem menos de um mês depois da reeleição do presidente Hassan Rouhani, um moderado.

Os alvos escolhidos pelos terroristas são simbólicos, segundo análise da rede americana CNN. O parlamento, também chamado de Assembléia Consultiva Islâmica, é o principal órgão legislativo do país. Possui 290 membros, incluindo mulheres, assim como representantes de minorias religiosas, como cristãos e judeus.

Já o ataque ao mausoléu visava o túmulo de Aiatolá Khomeini, fundador da república fundamentalista islâmica, que recebe milhares de peregrinos. Em 1979, Khomeini voltou ao Irã, após 15 anos de exílio, e liderou a revolução que derrubou o regime pró-ocidente do xá Reza Pahlevi.




Reações

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, afirmou que os ataques terroristas "fortalecem ainda mais" o país, segundo a Efe. "Este ataque terrorista contra o nosso povo nos fortalece ainda mais", disse Zarif, ao chegar em Ancara (Turquia), onde se reunirá com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

A Rússia, aliada do Irã no Oriente Médio, condenou os ataques e pediu uma "coordenação na luta antiterrorista". "Estes atos de terrorismo merecem a mais dura condenação. Os ataques demonstram a necessidade de coordenar a luta antiterrorista, sobretudo contra o Estado Islâmico", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, segundo a France Presse.

O governo brasileiro repudiou os ataques terroristas. "Ao expressar suas condolências às famílias das vítimas, seus votos de plena recuperação aos feridos e sua solidariedade com o povo e o governo do Irã, o Brasil reitera sua condenação a todo e qualquer ato de terrorismo, independentemente de sua motivação", afirma a nota.

Por G1

07/06/2017  

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