PONTO DO BEM

PONTO DO BEM
PETROLÂNDIA-PE

sexta-feira, 10 de março de 2017

Atletas do Wolves raspam a cabeça e doam cabelo a crianças com câncer

Lobo Soberano joga em Caruaru no domingo e parte da renda da jogo será revertida para o Icia. Jogador do time teve a doença há sete anos e fala de como se recuperou

Ewerton Cleiton foi um dos que raspou a cabeça em prol da doação (Foto: Joalline Nascimento/GloboEsporte.com)
 

O futebol americano é um esporte conhecido pela força dentro de campo. Mas os atletas do Caruaru Wolves decidiram usar essa força de outra forma: oito deles rasparam a cabeça para doar a crianças com câncer, além de parte da renda do jogo de domingo ser revertida para o Instituto do Câncer Infantil do Agreste, o Icia. John Oliveira, que atua como defensive tackle no time, além de ser diretor de marketing do Lobo Soberano, conta como surgiu a ideia da doação. 

- A gente estava pensando em alguma coisa que pudesse ser ligada à nossa campanha do "Doe Sua Força". Já por ter contato com o pessoal do Icia, termos vontade de visitar e levar o futebol americano para as crianças de lá, fizemos essa parceria. 

Antes, a equipe havia pensado em fazer uma visita ao instituto, mas depois acharam melhor ajudar de uma forma que deixasse os atletas mais próximos das crianças com câncer. Foi quando decidiram que também iriam fazer a doação dos cabelos. De acordo com John, muitos jogadores se ofereceram para doar. 

Caio (esq.) e Humberto (dir.) durante o corte de cabelo para doação (Foto: Joalline Nascimento/GloboEsporte.com)
 
- O que dificultou um pouquinho foi a questão de horário. Porque para poder raspar a cabeça, tinha que estar disponível para fazer a visita ao Icia. Então, tinha gente que queria cortar o cabelo, mas não tinha como fazer a visita. Outros podiam visitar e não tinham como cortar o cabelo. No fim, cada um ajudou de uma forma. 

Para do diretor de marketing dos Wolves, o esporte em si é muito mais do que só o apito ou a bola rolando. Ele afirma que a diferença do futebol americano é trabalhar com a comunidade em geral e também se envolver com alguns projetos sociais que auxiliem outras pessoas. 

O corte do cabelo




Parte da equipe foi até uma barbearia de Caruaru para raspar a cabeça. Em um momento de descontração, dos 65 atletas, oito participaram da ação. O GloboEsporte.com conversou com três deles: o coordenador de linha ofensiva Humberto Layme, o offensive line Caio Rodrigues, e o principal jogador do time, o quarterback Ewerton Cleiton. Para Humberto, o intuito da ação é chamar a atenção das pessoas para a causa do Icia. 


Atletas irão doar cabelo ao Icia, em Caruaru
(Foto: Joalline Nascimento/GloboEsporte.com)
- Já sabemos que o câncer em si é uma doença muito traumática. Acredito que para as crianças é mais ainda. Também acredito que vale a pena tudo para ajudar elas, que estão passando por esse momento difícil.
Caio ressalta a importância da atitude e diz que familiares dele já morreram vítimas da doença.
- Se desprender do ego é a parte mais difícil, mas é por uma boa causa. Eu já perdi parentes para o câncer, dois tios, avó... É bom para conscientizar a população, para que as pessoas entendam que tem cura. Cabelo nasce de novo. O ato vale muito mais.

O quarterback Ewerton Cleiton destaca a felicidade que sentiu ao raspar os cabelos para doar as crianças.

- Eu me sinto feliz, honrado de poder contribuir com essa ação tão importante de ajudar às crianças com câncer. É uma simples forma de ajudar, mas com grande significado. Podemos sentir um pouco do que eles passam. Fico muito feliz, muito feliz. 

Atleta do time teve câncer

Quando a equipe de marketing do Lobo Soberano estava decidindo o próximo passo da campanha "Doe Sua Força", uma surpresa: Raul Chalegre, running back do time, disse que teve câncer aos 21 anos. John Oliveira afirma que nunca havia imaginado que o colega de equipe tinha enfrentado a doença.
 "O câncer não é uma doença individual, é plural. Ninguém fica doente sozinho, uma série de pessoas que cercam adoecem um pouco, como pais e amigos
 Raul Chalegre


- Raul nunca havia dito a todos do time que tinha tido câncer. Quando estávamos pensando em fazer a visita e a doação do cabelo ao Icia. Ele disse: "acho que posso dar um depoimento". Foi quando ele falou que teve câncer. A imagem que você tem de uma pessoa que teve ou tem a doença é de alguém debilitado, frágil. E quando olho para Raul, vejo que atleticamente ele é um dos melhores do time, em biotipo e porte físico.

 Raul hoje tem 28 anos e está completamente curado da doença. Quando foi diagnosticado com câncer, o atleta começou o tratamento de imediato. Ele passou 10 meses sendo submetido à quimioterapia e diz que da descoberta até a cura foi cerca de um ano. 

- Eu tive linfoma de hodgkin. Este tipo de câncer atinge as glândulas linfáticas e o baço. O médico, quando eu fui começar o tratamento, disse: "Raul, se você quer se curar, eu tenho como fazer. Mas você vai ter que adequar sua vida ao tratamento". E foi isso que eu fiz. Me afastei das atividades das atividades físicas e tranquei a faculdade. 

Raul Chalegre joga no time e há sete anos enfrentou o câncer (Foto: Joalline Nascimento/GloboEsporte.com)

O running back ainda destaca que nunca se colocou como doente porque nunca quis monopolizar as atenções ou se colocar no papel de vítima. Para ele, quem tem a doença, não deve se perguntar os motivos de estar doente, mas sim buscar as soluções

- Eu me tenho como uma pessoa privilegiada. Consegui passar por essa fase do tratamento muito tranquilamente. Tem momentos de estresse, você com 21 anos, vendo a vida acontecer... Mas eu nunca me abalei e nem me questionei. O câncer não é uma doença individual, é plural. Ninguém fica doente sozinho, uma série de pessoas que cercam adoecem um pouco, como pais e amigos.

O jogo


Os ingressos custam R$ 10 e podem ser comprados na The Dragon Shop, localizada na Rua Visconde de Inhaúma, número 98, bairro Maurício de Nassau, ou no dia do jogo. Os portões serão abertos a partir das 15h.
 
Clube de Caruaru irá enfrentar o Olinda Sharks (Foto: Lafaete Vaz / GloboEsporte.com)



G1 Caruaru, PE/
Por Joalline Nascimento

Nenhum comentário:

Postar um comentário