sábado, 15 de outubro de 2016

PROFESSORES: "SONHAR É PRECISO", Homenagem do Professor Paulo Campos


Para homenagear o nosso dia do Professor, segue mais uma vez o artigo que escrevi em 15/10/2013, pois independentemente do tempo, continua atual.

Paulo Campos


Paulo Campos
Hoje, 15/10/2013, dia Professor, bateu forte a saudade do passado. Saudade dos alunos que me suportaram durante 32 anos de magistério, dos colegas que durante todos estes anos lutamos lado a lado para valorizar esta profissão cada vez mais difícil num país onde só tem vez político corrupto. E pra completar, quanto mais corruto mais a sociedade valoriza. Saudade de meus professores de outrora da adolescência em Floresta e da minha infância no Icó, Petrolândia. Penso, hoje, com a experiência dos meus 66 anos de idade que “A infância que já não existe presentemente, existe no passado que já não é ainda” (Santo Agostinho).

De repente viajei de volta ao passado. Embarquei na nave do tempo começando pela minha infância até chegar aos dias atuais. Descobrir com alegria que continuo a sonhar como antigamente. Nesse turismo comandado pela lembrança passei pela UFBA-CETEBA em 1972 e lembrei-me do professor de Desenho Técnico do Curso de Ciências Agrícolas que ali cursava. Este professor era um artista (pintor) famoso em Salvador. Nas suas aulas, 90% do tempo, ele dedicava-se a falar de suas experiências, dos seus sonhos e nos orientar sobre os caminhos que deveríamos seguir. Quando a aula terminava todos os colegas comentavam: “Que professor enrolão”. Nós tínhamos que aceitar tudo calado, pois era auge da Ditadura Militar. Para amenizar era auge, também, do movimento Jovem Guarda. A verdade é que quando nos deparamos com a prática na vida real foi que descobrimos que este foi o professor que mais contribuiu para a nossa vida futura. Ele nos ensinava a sonhar, a viver. Ele nos ensinou que o homem não envelhece apenas pela passagem de anos. “Envelhece no momento em que perde os ideais” (Samuel Ullman). Para comprovar o que descobrir nesta viagem transcrevo um texto que um colega enviou para mim sobre uma seleção realizada pela Volkswagen. Que sirva de reflexão para que vocês, colegas de hoje, continuem sonhando e ensinando os outros a sonhar.

Num processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: “Você tem experiência?” A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos:

“Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um “para sempre” pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: “Qual sua experiência?”. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: Experiência… Experiência… Será que ser “plantador de sorrisos” é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?”

Até a próxima, quando a nave do tempo aterrissar em outras paragens do meu passado

OBS: Este foi o candidato selecionado pela Volkswagen
Esta crônica é uma adaptação de um texto que postei no facebook no dia do meu aniversário em 25/01/2012.


Fonte: Instituto Afim (Blog do Icó Mandantes)
Blog de natureza sócio-cultural e política

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