PONTO DO BEM

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Bruxaria e teoria da conspiração a partir da prisão de Eduardo Cunha

(FOTO: O ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deixa o Instituto Médico-Legal (IML), em Curitiba, após realizar exame de corpo de delito, um dia após sua prisão por ordem do juiz federal Sérgio Moro na operação Lava Lato - CRÉDITO: Giuliano Gomes/PR Press)
Sempre ouvi de amigos e em comentários nas redes sociais que a operação Lava- Jato só prendia petistas e perseguia o PT. Pronto, nesta quarta-feira dia 19 de outubro Eduardo Cunha foi preso em Brasília, na residência oficial, mesmo tendo decorrido mais de trinta dias de sua cassação.

A pergunta é a seguinte: Agora vamos acreditar que a operação Lava-Jato, que sofre tantas críticas de petistas, é para valer? Ou será acionado o mecanismo definido por um dos heróis fundadores da antropologia, Sir E. E. Evans-Pritchard?

Em seu livro Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande, em que descreve a feitiçaria como um sistema de conhecimento, Evans-Pritchard diz que a lógica do sistema pressupõe um mecanismo que chamou de elaboração secundária para explicar as incongruências entre a teoria e os fatos. Quando algo não dá certo nas previsões do bruxo, ou quando a magia não funciona, aciona-se a elaboração secundária para manter a teoria ou a crença intactas mesmo que os fatos as contradigam.  

Muitos comentários de petistas, depois da prisão de Eduardo Cunha, dizem que ela é uma cortina de fumaça para que o juiz Moro prenda Lula, ou seja, a elaboração secundária funcionando no sentido de manter intacta a teoria da conspiração contra o PT e, assim, fazer com que os fatos se coadunem novamente com a crença.

E assim vamos em frente. As crenças são mais fortes do que os fatos...

E por falar em Lava-Jato, fico perplexa com os comentários sobre a chamada espetacularização das operações da Lava-Jato. Por que tanto espanto com o que, de fato foi sempre matéria de espetáculo. São as notícias da página policial que mais chamam a atenção dos leitores. Quando os crimes são de sangue maior espalhafato ainda, mas o frisson mesmo é quando envolvem pessoas poderosas praticantes de crimes de sangue ou não.

Meu patrono neste Blog, o genial Nelson Rodrigues que o diga, afinal foi na página policial que começou sua carreira de escritor quando tinha seus treze anos.  E foi no jornal Última Hora de 1950 a 1961 que, diante de uma máquina de escrever, produziu histórias incríveis e espetaculares com fatos da vida real na sua famosa coluna “A vida como ela é”. Foram essas crônicas, escritas depois de já ter sido consagrado com a peça Vestido de Noiva que o tornaram mais popular, pois falavam de adultério, ciúme, pecado, moral e desejo, e causavam escândalo. 


fONTE: G1 ( por Yvonne Maggie)

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