quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Não tem projeto que unifique as esquerdas’, diz Luiza Erundina

Aos 81 anos, a candidata do PSOL à prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina, tenta chegar ao cargo pela segunda vez. Ela chama o ex-companheiro de chapa Michel Temer de golpista e faz críticas à atual gestão

A senhora teve o presidente Michel Temer como vice na chapa para a prefeitura de São Paulo em 2004 e hoje é uma ferrenha opositora de seu governo. O que mudou de lá para cá?

Naquela época eu era do PSB, que tinha uma política de alianças bastante ampla. E o Temer não era o Temer de hoje, era um constitucionalista, respeitado pela sua formação jurídica, nunca teve uma liderança mais significativa. Naquela ocasião, o partido decidiu por essa aliança e eu não tinha como dizer não. Hoje é um golpista, um traidor, usurpador da soberania popular. Não tem legitimidade, não tem sustentação na sociedade, a não ser num pequeno segmento. Foi um golpe parlamentar sem nenhuma dúvida.

Como responde às críticas de que está tentando ser prefeita depois de ter mudado três vezes de partido?

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O motivo que me levou a mudar de partido é o de sempre: coerência. Eu sou uma das fundadoras do PT e fiquei lá 17 anos, devo muito ao partido. Não sou daquelas que saem batendo, desmoralizando. Eu tenho dito que eu não saí do PT, o PT é que saiu de mim: os princípios, os valores, aquela utopia que me moveu ainda na juventude para construir um partido político e militar nele.

A senhora critica muito o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), houve uma discussão entre vocês no último debate.

Eu critiquei a sua falta de posição política em relação ao momento da vida do país, em que seu partido é o principal foco de ataques. É uma eleição numa conjuntura nacional extremamente grave e de muita exigência do ponto de vista de preservar direitos e conquistas. Esperava dele uma posição mais clara que até hoje ele não tomou.

A senhora representa uma liderança importante da esquerda, e o prefeito Haddad está num partido importante para a trajetória da esquerda. Essas discussões não enfraquecem o grupo?

Não tem um projeto que unifique as esquerdas. Há uma crise profunda não só no Brasil, mas no mundo. Os governos do PT se compuseram de A a Z do espectro político-ideológico. Portanto, não houve uma unidade das esquerdas no plano federal. Muito pelo contrário. Houve muita conveniência eleitoral pelo presidencialismo de coalizão que está esgotado, tem que ser revisto.

Quando prefeita, uma de suas propostas era a implantação do passe livre. Nesta campanha a senhora tocou novamente nesse tema. É viável financeiramente?

Aquilo foi uma proposta do nosso governo, não se idealizou porque não tive maioria na Câmara. Não vou dizer que temos recursos para implantar em toda a cidade, mas dá para começar a experimentar já no primeiro ano de governo. Por exemplo, aos domingos, para que o cidadão possa se locomover e usufruir da cidade sem ter seu orçamento, que já é estreito, impactado.

Via: PE Notícias

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