quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Morte de Paulo César Morato segue sem explicação após dois meses


Empresário era investigado pela PF em esquema de lavagem de dinheiro.
Ele foi encontrado morto em um motel de Olinda após ter ingerido veneno.

Corpo do empresário Paulo César Morato foi encontrado em motel, em Olinda (Foto: Bruno Marinho/G1)

Dois meses após a morte do empresário Paulo César Morato, 49 anos, um dos indiciados pela Operação Turbulência deflagrada pela Polícia Federal (PF), o crime segue sem explicações. Após uma série de investigações e controvérsias, a Polícia Civil, que comanda o caso, ainda não esclareceu se ele se matou ou se foi assassinado. Seu corpo foi achado em um motel em Olinda, no Grande Recife, no dia 22 de junho.

Procurada pelo G1, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que o caso é presidido pela delegada Gleide Ângelo e ela, de acordo com a secretaria, tem total autonomia para condução das investigações. “Qualquer manifestação sobre o caso será realizada por ela, desde que assim entenda oportuno e conveniente”, informou por e-mail. Procurada, a policial não retornou as ligações.
As circunstâncias da morte de Morato são, atualmente, uma das últimas peças do quebra-cabeça da Operação Turbulência. Deflagrada no dia 21 de junho, a ação teve como objetivo investigar um esquema que liga empresas de fachada à compra do avião Cesna Citation, usado pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB) no dia do acidente em que ele e mais seis pessoas morreram, em agosto de 2014, em Santos (SP).


Até o momento, uma das poucas certezas é que Morato, um dos cinco integrantes indiciados pela Polícia Federal de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 600 milhões e pode ter financiado a campanha do ex-governador Eduardo Campos (PSB) ao governo de Pernambuco, morreu por envenenamento.

Morato foi sepultado em cemitério na Mata Sul
de Pernambuco (Foto: Danilo César/ TV Globo)
Morte

O corpo de Paulo Cesar Morato ficou no Instituto de Medicina Legal (IML), na área central do Recife, durante mais de um mês. Em 30 de junho, a SDS apresentou laudos e perícias, uma delas feita na Paraíba, e informou que a causa da morte tinha sido envenenamento. O agente externo era uma substância identificada como um organofosforado, conhecido popularmente como chumbinho, um veneno usado para matar ratos.

Mesmo informando o agente externo causador, a SDS preferiu não apontar as circunstâncias do óbito. No dia 2 de julho, peritos voltaram ao motel para fazer novas investigações. Na época, informaram apenas que analisavam as imagens das câmeras do circuito de segurança.
Depois da conclusão do inquérito, a Polícia Federal indiciou, no dia 18 de julho, 20 pessoas, entre elas Morato. Também estavam na lista quatro empresários que residem em Pernambuco e estão presos no Centro de Triagem de Abreu e Lima (Cotel), na Região Metropolitana.

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Já no dia 3 de agosto, a Justiça Federal denunciou 18 dos 20 indiciados. Morato é citado no documento, mas não chegou a figurar na lista final. O grupo é apontado como responsável por um esquema de crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro oriundo de superfaturamento em obras públicas e pagamento de propinas a agentes políticos e funcionários públicos. De acordo com o MPF, os acusados são divididos em categorias, conforme o papel desempenhado.
Assustados com a polêmica, parentes de Morato o sepultaram em um cemitério no interior. Sem alarde, o empresário acabou sendo enterrado, no dia 4 de julho, em Barreiros, na Mata Sul pernambucana. A informação veio à tona depois de um comunicado feito pela prefeitura do município.


- Paulo Cesar de Barros Morato foi encontrado morto na noite do dia 22 de junho, em um motel no bairro de Sapucaia, em Olinda;
- Envenenamento por chumbinho foi a causa da morte, segundo laudo da Polícia Científica;
- A advogada do empresário, Marcela Moreira Lopes, disse que ele já havia tentado suicídio;
- Ele é apontado como integrante do esquema de lavagem de dinheiro apurado pela Operação Turbulência.
- Uma empresa fantasma criada por Morato teria sido usada na compra do avião que se acidentou com Eduardo Campos.

O que falta saber?

- A Polícia Civil ainda não determinou se o empresário foi envenenado ou se ele se matou.
- A perícia ainda não divulgou todos os laudos;
- Investigadores não divulgaram o que havia em pendrives, celulares e documentos que foram achados junto ao corpo;
- Ainda não se sabe se alguém teve acesso ao quarto; nova perícia foi feita nas câmeras.

Paulo César Morato é um dos investigados na
Operação Turbulência (Foto: Divulgação/PFl)
Quem era Paulo César Morato?

Até 2014, Morato tinha uma loja de conserto de telefones celulares e vivia em uma casa alugada, numa rua comercial de Tamandaré, no Litoral Sul de Pernambuco. Era casado e tinha duas enteadas.
O imóvel hoje está alugado a outra pessoa e, no ponto comercial, funciona uma sorveteria.
Vizinhos contaram que, vez por outra, Morato viajava para o Paraguai ou para São Paulo para comprar produtos para revender. Na cidade litorânea, não transparecia ter muitas riquezas e se dava bem com todo mundo.

Qual o seu suposto papel no esquema investigado?

Paulo César Morato foi apontado pela Polícia Federal (PF) como o responsável pela empresa fantasma Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda, que teria aportado recursos milionários para a compra da aeronave usada na campanha presidencial de Eduardo Campos. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a empresa recebeu quase R$ 19 milhões da construtora OAS.
Quais as circunstâncias de sua morte?

Após o início da Operação Turbulência, Morato foi o único dos cinco investigados não localizados pela Polícia Federal (PF). Chegou a ser considerado foragido e seu nome seria incluído na lista de procurados da Interpol. Um dia depois, no entanto, foi encontrado morto em um motel de Olinda.
Segundo o advogado do estabelecimento, ele teria entrado sozinho por volta das 12h do dia 21 de junho. Seu corpo foi achado na noite do dia 22 por funcionários do motel, que chamaram a polícia. Morato foi sepultado no último domingo (3) em Barreiros, Mata Sul de Pernambuco.

Houve falha na perícia?

Papiloscopistas acusam a Secretaria de Defesa Social (SDS) de interferência na perícia, o que teria atrapalhado a coleta de provas para a investigação. De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Aureo Cisneiros, peritos foram impedidos de realizar a coleta de digitais dentro do quarto da vítima. As polícias Civil, Federal e Científica descartaram a possibilidade de interferências externas ou de falhas no processo.

Homicídio ou suicídio?

No dia seguinte à morte, o secretário em exercício de Defesa Social, Alexandre Lucena, afirmou acreditar que Morato teria se suicidado ou morrido por causas naturais.
“Uma pessoa corpulenta, de 48 anos, gordo. Ele já tinha tentado suicídio, tomava remédios. Então, a morte pode ter sido natural ou suicídio. Ele deve ter passado mal quando chegou. Essas são as duas principais linhas de investigação, mas não descartamos a possibilidade de homicídio”. O resultado do laudo, contudo, ainda não foi divulgado.
Como estão as investigações agora?
No sábado 2 de julho, a delegada Gleide Ângelo, responsável pela investigação, determinou nova perícia no motel para coleta de informações sobre as câmeras de segurança do estabelecimento para entender o que aconteceu no dia do óbito.
Com esse trabalho, segundo Gleide, os peritos terão condição de determinar quantas câmeras estavam funcionando, quais os ângulos de visão e se alguma cena foi cortada. O resultado desse trabalho complementar também não foi divulgado.
No dia 22 de julho, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) confirmou que designou para acompanhar o caso a promotora de Justiça Criminal Rosângela Furtado Padela Alvarenga. A escolha pela promotora foi por já atuar na cidade de Olinda, onde o corpo foi encontrado.

Fonte: G1 PE

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